Agrupamento de Escolas Eça de Queirós é ‘Fantástico’

9 May 2018

A Sub-Directora do Agrupamento, Drª Isabel Nascimento, acredita que a solidariedade passa por todos nós.

highspirit – Como é que surgiu a sua paixão pelo ensino?

Isabel Nascimento No ensino secundário eu gostava de três áreas: matemática, biologia e físico-química. A decisão de seguir uma destas três áreas foi perfeitamente clara logo ao princípio e depois a questão de ser professora acho que tem a ver com o facto de ter tido excelentes professores e por isso comecei a associar o curso que eu gostaria de seguir, com matérias que me interessavam, com o facto de ser professora. Lembro-me de o meu pai e a minha mãe, na altura, acharem uma coisa estranhíssima e perguntarem se eu queria mesmo ser professora. Eu disse que sim. Eles diziam que até acabar o curso eu iria mudar de opinião, mas nunca mudei. Passei a ter como principal objectivo o de ser professora. Acabei por escolher matemática, das três áreas que me interessavam, e foi o curso que tirei mas sempre com o objectivo de um dia vir a ser professora. E não estou arrependida.

 

HS – Quais são os pilares pedagógicos do Agrupamento?

IN O nosso projecto educativo espelha bem quais são as nossas ambições e objectivos. Obviamente que ensinar é um deles, é a principal missão da escola. Também procuramos formar alunos como pessoas, para terem um futuro com várias valências que não só o saberem muita matemática, física ou biologia. É, de facto, serem cidadãos completos, tendo competências em várias áreas como a cidadania ou o saber estar, aliados sempre à parte curricular de que nunca nos podemos desligar. Temos de pensar que a grande maioria dos nossos alunos têm ambições de prosseguir estudos no ensino superior e têm, portanto, aquela barreira dos exames e do entrar e não entrar… nunca nos podemos desligar disso. Nós temos aqui no agrupamento do 1º até ao 12º ano e procuramos em todos os ciclos de ensino que essa formação para a vida também seja feita a par da parte curricular.

 

HS – Acha que é preciso trabalhar para que os alunos tenham gosto em ir até à escola?

IN Isso é fundamental. Nós temos muitas actividades que extravasam a parte curricular. Estamos a falar de vários clubes e projectos que os estudantes frequentam e que fazem com que a escola não seja só o local onde vão ter aulas de matemática, português ou ciências, mas sim um lugar onde podem fazer outras coisas. Temos vários clubes de variadíssima ordem, desde o bridge ao xadrez, passando pela Eça TV que é uma televisão interna da escola e os alunos gostam muito de participar, de ser jornalistas por um dia e fazer filmagens de eventos que acontecem aqui na escola. Há o Clube Europeu e neste momento temos alguns alunos na Hungria, no projecto Erasmus, e temos o Parlamento Jovem… imensas actividades que os alunos podem fazer e que não é só ensinar matérias. Também há o Desporto Escolar. Temos muitas actividades porque cada pessoa tem interesses variados e temos uma grande abrangência de oferta fora daquilo que é curricular e para muitos alunos isso é fundamental, até porque muitas vezes não têm a oportunidade de fazer isto lá fora, acabando por fazer tudo dentro da escola. Isto faz com que os alunos tenham vontade de vir à escola e que isso não seja um frete, eles vêm com agrado. Há sempre coisas que gostamos mais, basta lembrarmo-nos de quando éramos alunos, mas actualmente há que fazer com que o vir à escola seja um prazer. Há sempre excepções, alunos que são mais difíceis do que outros, mas mesmo em relação a esses temos um tratamento especial no sentido de envolvê-los de outra maneira.

 

HS – Como é que conseguem gerir uma quantidade de alunos tão grande como a que o Agrupamento alberga?

IN Nós temos uma equipa de cinco elementos na direcção e nas outras escolas temos coordenadores que fazem uma parte da função de direcção nessa escola. Temos um regulamento interno que começa por definir uma série de regras que os alunos têm conhecimento no princípio do ano, tal como os encarregados de educação, e são regras a seguir. São regras de conduta, de saber estar… entre outras. A direcção e os coordenadores de escola têm a missão de fazer com que tudo funcione e felizmente temos um grupo de funcionários extraordinário que nos ajuda muito. Muitas vezes os funcionários são quem, nos intervalos, está mais tempo com os alunos e quem acompanha esta gestão e o saber estar dentro da escola. Toda a comunidade educativa ajuda no que é possível, na gestão desta gente toda e nas várias vertentes, dentro e fora da sala de aula, por isso as coisas funcionam. Há alturas mais complicadas e outras nem tanto, mas vamos conseguindo gerir tudo. Só nesta escola temos mais de mil alunos e ao todo, contando com as outras escolas, somos dois mil e muitos.

 

HS – Quais os desafios que se apresentam ao agrupamento nos dias de hoje?

IN Eu penso que não é para o agrupamento mas para a escola em geral: é o acompanhamento da evolução social, das mudanças sociais e das tecnologias. Temos de acompanhar isso tudo, não é estar aqui numa posição estática de trabalhar como trabalhávamos quando eu andei na escola… De facto, a mudança das mentalidades e a maneira como os miúdos vivem, acrescido do facto de os pais trabalharem cada vez mais e terem menos tempo para estar com os filhos, muitas vezes nós temos de desempenhar um papel, não de pais porque ninguém os substitui, mas de trabalharmos muito com os miúdos o dia todo. Antigamente estavam na escola para ter aulas e depois iam para casa, agora não. Temos aqui crianças que passam mais horas na escola do que em casa. Isso tem a ver com a mudança da nossa sociedade e, bom ou mau, temos de acompanhar. Tudo evolui muito depressa… dum ano para o outro há mudanças, as pessoas são diferentes, as tecnologias são diferentes, o nosso mundo é diferente e temos de tentar acompanhar isso. Esse é o grande desafio, estarmos sempre em cima dos acontecimentos e conseguirmos dar resposta aos vários desafios que a sociedade nos traz para dentro da escola.

 

HS – Qual é o seu highspirit?

IN Penso sempre que tudo vai correr muito bem. Eu gostaria que as várias gerações se juntassem e é algo que vocês também pretendem fazer, é muito importante. As pessoas andam muito afastadas umas das outras e digo os adultos entre si, as crianças dos adultos, afastam-se à medida que os anos avançam, deixam de falar. Uma coisa complicada nesta sociedade são as tecnologias e as pessoas deixarem de interagir directamente. Gostaria muito que a sociedade, a escola e todos nós, caminhássemos no sentido de nos unirmos, sermos mais solidários e capazes de ajudar os outros. Sei que é complicado mas se não tentarmos modificar para que sejamos mais próximos, mais solidários e mais amigos do nosso amigo, vamos ter uma sociedade muito fria em que as pessoas estão desligadas.

 

HS – Porque é que Somos Por Todos?

IN Porque não vivemos sozinhos. Não vivendo sozinhos temos de estar aptos a lidar com toda a gente e com as várias gerações e às vezes é complicado acompanharmos os mais jovens porque têm interesses e vivências completamente diferentes das nossas. Portanto, sermos por todos passa pela tal utopia de conseguirmos criar uma sociedade e um mundo em que as pessoas das várias gerações conseguem estar juntas e ajudar-se. Cada um dar ao outro aquilo que tem de melhor. Não são só os mais velhos que transmitem conhecimentos aos mais novos, aqui aprendemos muito com as crianças. A solidariedade é muito importante e passa por todos.

 

 

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