A ‘Fantástica’ Débora Nogueira

7 May 2018

A atleta olímpica de esgrima conta que a disciplina e a organização são os segredos para vingar na modalidade.

highspirit – Como começou na esgrima?

Débora Nogueira É uma história engraçada. Eu andava num externato em Almada e fazia ballet e patinagem. Na 3ª classe tínhamos de escolher uma outra actividade e perguntei à minha mãe o que era a esgrima? Ela disse-me que era aquilo que o D’Artacão fazia, assim como quem diz “não vais!”. E eu pensei logo “bravo! É isso que eu quero!” e comecei com a história do D’Artacão e já não saí mais. Fui fazendo outros desportos pelo meio mas continuei sempre com a esgrima.

 

HS – Identifica-se, de alguma forma, com os mosqueteiros?

DN Identifico-me com os mosqueteiros, sim, mas agora é mais a geração do Star Wars, com quem também me identifico (risos).

 

HS – Que títulos alcançou na esgrima?

DN Fui durante 11 anos a vencedora do ranking nacional, fui sempre consistente. Campeã nacional de séniores fui poucas vezes, fui 3… gostava de ter sido mais. Tive um fantástico resultado no campeonato ibero-americano, em que fui 3º lugar, e não me esqueço dos Jogos Olímpicos, do apuramento. Tive alguns bons quadros nos campeonatos da Europa e do Mundo, mas os Jogos Olímpicos… foram óptimos.

 

HS – Conte-nos um pouco da sua experiência olímpica.

DN Imaginemos assim: temos um sonho, um sonho que sonhamos todos os dias ao deitar. Depois, esse sonho realiza-se e pessoa fica… “e agora?”. Desde o primeiro momento em que me apurei, até ao fim do meu assalto e até me vir embora da aldeia olímpica, é tudo um sonho. São tudo coisas novas. Desde a ida de avião para Pequim, entrar na aldeia olímpica, no estádio, com a comitiva… eu joguei com uma chinesa, então imaginem o pavilhão com uma claque completamente organizada. É uma adrenalina de outro mundo. Não há palavras para descrever o momento, são imagens que tenho na minha mente e que vão ficar comigo para sempre, é impressionante.

 

HS – De forma sucinta, como funciona a esgrima?

DNA esgrima tem três armas, o sabre, que vale da cintura para cima, desde os braços à cabeça, e podemos tocar de ponta e de lado. É uma arma como o florete, em que se dá prioridade ao ataque e à parada-resposta. Depois o florete que temos um colete eléctrico em que só vale no tronco e nas costas e numa parte do pescoço e só vale de ponta. A espada vale em todo o corpo e só de ponta, mas, por exemplo, se houver dois toques ao mesmo tempo é um toque para cada, não há prioridade como nas outras armas, é diferente.

 

HS – O que é um assalto?

DN O assalto é quando jogamos com um adversário. Por exemplo, na fase de grupos, a que chamamos poule, em que um assalto é até aos cinco toques e jogamos entre todos. Depois ordena-se o quadro de eliminação directa em que o primeiro joga com o último, o segundo com o penúltimo… e aí já é até aos quinze toques. São três períodos de três minutos, com um minuto de intervalo.

 

HS – Como se encontra a oferta da prática de esgrima a nível nacional?

DN Está muito bem e cada vez melhor. Agora há mais clubes e bons. Cada vez há mais participantes, no centro de Lisboa e na periferia, e também no Algarve e no norte há muito bons clubes. Já há muita oferta comparado com o que havia antigamente, há anos atrás, quando eu comecei, não havia tantos clubes.

 

HS – Quais as principais vantagens da modalidade?

DN As vantagens passam por conseguir atingir uma disciplina maior e visto a esgrima ser um desporto de combate, há limites… não se podem ultrapassar essas barreiras e por isso é preciso ser autodisciplinado. Em termos de organização é imprescindível, porque para conseguir conciliar a escola e os treinos tem de se ser muito organizado, pois o dia só tem 24 horas e temos de conseguir fazer tudo. E dá para fazer tudo, sem dúvida. Depois, o que eu vejo que ganhei ao longo destes anos de esgrima são amigos para a vida. Amigos que alguns são meus adversários mas que depois vou ao casamento deles, por exemplo.

 

HS – Como se gere o desporto com a vida profissional?

DN Como já referi, é mesmo uma questão de organização e gerir prioridades. Claro que há alturas em que não posso ir jantar fora com os meus amigos porque vou para uma taça do mundo, como há outras alturas em que estou mais liberta dos treinos e consigo ir jantar, ir ao cinema, fazer uma vida normal… é tudo uma questão de prioridades e de organização.

 

HS – Qual é o seu highspirit?

DN Sou trabalhadora e organizada. Às vezes levo a organização e as arrumações a um extremo que pode ser bom ou mau, mas que me tem ajudado até agora para atingir aquilo que eu quero. E o que eu quero, até agora, tenho tido a sorte de conseguir.

 

HS – Porque é que Somos Por Todos?

DN Para já, vivemos em comunidade e logo por aí temos de estar por todos. Na realidade, precisamos de todos. Sem a ajuda do meu treinador, dos meus colegas de equipa… não teria ido aos Jogos Olímpicos. Tive colegas que vieram de férias só para vir treinar comigo na preparação para o apuramento. Eu faria o mesmo por eles, do mesmo modo que eles voltariam a fazê-lo por mim. Temos de ser por todos e todos por nós também.

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Siga-nos
  • Facebook HighSpirit
  • Instagram HighSpirit
  • YouTube HighSpirit
© 2019 highspirit®. Todos os direitos reservados. 
highspirit® é uma marca registada.