Joana Pratas é ‘Fantástica’!

28 Mar 2018

A atleta olímpica não tem dúvidas de que juntos somos mais fortes

highspirit – Como é que descobriu a vela?

Joana Pratas – Eu comecei na vela com 9 anos por influência familiar. O meu avô foi praticante de vela. A minha mãe achou que esta seria uma boa modalidade para mim e para os meus irmãos e inscreveu-me nessa altura.

 

HS – Gostou desde logo?

JP – Não. Ao início, nos primeiros seis meses, não gostei. Tinha algum receio em andar no barco sozinha, mas entretanto o excelente treinador que tive na altura conseguiu incutir-me o gosto pela modalidade e deixei de ter receio. Ao final de seis meses, já adorava!

 

HS – Pode dizer-se que a vela lhe está no sangue?

JP – Sim. Logo ao início quando comecei e embora na altura não gostasse muito, o meu treinador, o Sr. Mendonça, convidou a minha mãe para ir no barco a motor, para me ver a andar. Na altura ele disse logo que eu tinha uma posição a bordo que era completamente natural e correcta. Era algo que já tinha nascido comigo, digamos assim. Com o passar dos anos é óbvio que o talento por si não chega… Foi necessário muito trabalho, muita dedicação e resiliência para conseguir alcançar os resultados que consegui alcançar a nível mundial.

 

HS – Como foi o seu percurso competitivo?

JP – Fui evoluindo e ao fim do primeiro ano ganhei a minha primeira taça a nível nacional. Com 14 anos estava a representar Portugal pela primeira vez num Campeonato da Europa, na Classe Optimist, que é a classe de formação. Aos 15 anos, como já não podia continuar nesse barco, optei por ir para um olímpico e passei para a Classe Europe. Foi nessa classe que fui a três jogos olímpicos: Atlanta em 1996, Sidney em 2000 e Atenas em 2004. Fui aos primeiros Jogos com 17 anos, sendo a mais jovem velejadora portuguesa a ir aos Jogos e a primeira mulher portuguesa na vela.

 

HS – Como foi a experiência olímpica? O que sentiu quando se deparou com essa oportunidade?

JP – Para já, a minha qualificação para os Jogos foi um pouco inesperada porque houve uma selecção a nível nacional e eu era a mais jovem e com menos experiência, portanto as expectativas de me qualificar eram muito pequenas. Quando entrei no Estádio Olímpico em Atlanta, na cerimónia de abertura, com 17 anos, e vejo o estádio completamente cheio e as pessoas em pé a aplaudirem todos os atletas… naquele momento senti uma enorme alegria em estar a representar o meu país e em ter concretizado o meu sonho de criança. Naquele momento senti que os sonhos podem tornar-se realidade, que não há impossíveis! Basta uma pessoa trabalhar, acreditar, ter algum espírito de sacrifício e ser resiliente. Tudo se pode tornar realidade.

 

HS – Quais foram as maiores aprendizagens que retirou dessa experiência?

JP – Sobretudo que se queria chegar mais além no desporto a nível olímpico, tinha de continuar a trabalhar cada vez mais. Aqueles primeiros Jogos Olímpicos foram mais para ganhar experiência porque eu era realmente muito jovem e portanto tinha de trabalhar mais para conseguir estar ao nível das outras colegas.

 

HS – E as outras duas experiências como correram?

JP – Para os Jogos Olímpicos de Sidney, infelizmente, tive uma lesão poucos meses antes que me obrigou a parar durante algum tempo e esses Jogos não correram como poderiam ter corrido. Eu estava a navegar bastante bem antes dessa lesão, mas o facto de ter parado fez com que não corressem tão bem quanto isso… foi uma aprendizagem também no sentido que tive de saber ultrapassar essa adversidade e continuar a trabalhar para os Jogos seguintes.

 

HS – Nos últimos Jogos em que participou já sentiu essa maturação conseguida com as experiências anteriores? Sentiu diferença e evolução?

JP – Senti que estava, sobretudo, mais forte mentalmente para poder estar nuns Jogos Olímpicos. A pressão é muito grande e senti que todas as adversidades pelas quais passei nos anos anteriores fizeram com que naqueles Jogos eu estivesse mais forte. Embora não tenha conseguido alcançar nesses meus terceiros e últimos Jogos o objectivo que gostaria, que seria ficar no pódio, creio que conseguir o nono lugar do ranking mundial, por isso estar no Top 10 do mundo, já foi um motivo de enorme orgulho.

 

HS – Que conselhos daria a uma criança que queira experimentar vela?

JP – Em primeiro lugar é importante que aprenda a nadar. Em qualquer modalidade náutica, por motivos de segurança, tem que saber nadar. Depois, que tenham uma experiência numa altura em que esteja sol e bom tempo, porque é importante que o primeiro contacto seja positivo, e é sempre mais agradável quando está bom tempo.

 

HS – Actualmente que trabalhos relacionados com a vela é que está a realizar?

JP – A minha carreira profissional sempre foi ligada à área do desporto, em concreto do desporto náutico. Já tive oportunidade de colocar muitas crianças na água, seja como treinadora ou directora técnica e ainda noutras funções que desempenhei. A minha ligação ao desporto é de há trinta anos e seguramente que irei continuar a dar o meu contributo ao desporto nacional, e mais especificamente ao desporto náutico.

 

HS – Seria importante que as crianças pudessem enveredar por desportos não tão tradicionais como é o caso da vela?

JP – É importante que as crianças experimentem diferentes desportos e que façam aquele que gostam. Puxando um bocadinho ‘a brasa à minha sardinha’ penso que Portugal tem um potencial enorme para o desporto náutico. Tem condições meteorológicas fantásticas e poder conciliar o desporto e a natureza é uma mais valia para as crianças. Mas o importante é que pratiquem o desporto de que gostam!

 

HS – Qual é o seu highspirit?

JP – O meu highspirit é contribuir para uma sociedade mais activa, mais saudável e com mais princípios e valores, e nesse sentido acredito que o desporto tem um papel fundamental na construção de um mundo melhor.

 

HS – Porque é que Somos Por Todos?

JP – Porque juntos somos mais fortes!

 

 

 

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