Nuno Pombo junta-se aos Fantásticos

27 Feb 2018

O atleta olímpico destaca o trabalho com meio fundamental para atingir objectivos.

highspirit – ​Como é que começou no tiro com arco?

Nuno PomboSempre tive um bocado de paixão. Lembro-me de ser miúdo, nem sei que idade tinha, e agarrava numas canas, numas cordas, varetas de chapéu… e já andava a brincar com os meus amigos, na rua. Os meus pais sempre me impuseram uma regra em que eu tinha de praticar sempre um desporto, não interessava qual, eu escolhia o que quisesse, mas tinha de praticar um. Pratiquei alguns anos ginástica e quando cheguei aos 11 houve um ‘clique’ e decidi ir experimentar.

 

HS – Decidiu implementar um núcleo de tiro com arco na sua faculdade. Como começou?

Nuno PomboIsto partiu de um projecto meu e que tinha como objectivo ir aos Jogos Olímpicos de Pequim. Em 2005 comecei a pensar nisto e apresentei um projecto à faculdade. Deram-me um apoio fabuloso, com condições que eu nunca tinha tido, foi mesmo espectacular. Em 2006, pensei que a minha forma de retribuir um pouco do que me tinham dado era fundar um núcleo de tiro com arco na própria Associação de Estudantes. Um clube universitário tem uma particularidade gira que passa por de 4 em 4 anos as pessoas serem completamente novas. De ano a ano vão saindo uns e entrando outros e é muito complicada esta gestão. Como eu andei também na própria tuna e fui presidente ainda uns anos, percebi que há um tempo limite e um tempo para uma pessoa estar no activo e passar o seu testemunho. É muito giro porque, tendo sido fundado em 2006, hoje em 2018 o núcleo está mais activo do que nunca. Isso é espectacular!

 

HS – Costuma dar apoio ao clube nos dias de hoje?

NP O meu apoio é um bocado limitado, mas tento sempre ver como o clube está e dar uma ajuda. Nos primeiros anos em que me fui afastando mais, porque acabei a faculdade, tive logo de passar o testemunho mas nessa altura estava mais presente. Depois fui-me desligando cada vez mais, porque tive de cortar o cordão. As pessoas da AE pensavam que se eu fosse embora o núcleo acabava, mas conseguimos provar que não, e é um dos clubes mais activos da faculdade.

 

HS – Conte-nos um pouco da sua experiência olímpica.

NP Existe aquela máxima de que se pode ser o homem mais rico do mundo que não se consegue ir aos jogos olímpicos, ainda que isso ajude… esta experiência toda começou com o meu treinador, no fundo. Na minha base, eu comecei a revelar alguma apetência para a modalidade, com 12/13 anos. Entrei na selecção de juvenis, naquela altura, ainda era aspirante ou iniciado. Entrei depois na selecção de séniores ainda enquanto júnior. E se não fosse o apoio da minha família, era impossível a experiência que tive. Os meus pais sempre me apoiaram, felizmente, claro que nunca descurando os estudos. O meu treinador, ao ver isto tudo, agarrou em mim e deu-me as bases todas para ir aos meus primeiros Jogos, que eu pensaria que seriam em Sidney, mas acabou por ser muito antes até e consegui ir a Atlanta primeiro. Foi tudo muito natural e normal, comecei a treinar imenso e os resultados começaram a sair, por isso fui aos Jogos. Os primeiros foram aos 18 anos.

 

HS – Como foi entrar nos Jogos Olímpicos com essa idade?

NP Foi espectacular. Ainda por cima foi nos Estados Unidos e eu era menor de idade, que lá só seria maior com 21. Fui a três Jogos e todos eles em fases distintas, com 18, 22 e 30 anos. Embora tenha sido distinto, o deslumbramento foi sempre grande.

 

HS – Que conselhos deixa para as crianças que queiram iniciar-se nesta modalidade?

NP Uma criança para começar no tiro com arco, eu diria para não comprar material nenhum. É um desporto muito técnico por isso o que aconselho é ir ao site da federação e ver o clube que existe mais perto da residência e falarem e visitarem o clube, para ver se gostam. A partir daí o clube disponibiliza o material todo, o material que é indicado para iniciar. Há um estigma de se pensar que este é um desporto caro e na realidade não é, nada caro. Na maior parte dos clubes paga-se uma mensalidade e eles fornecem todo o material necessário, desde flechas e arcos a apetrechos, como dedeiras e braçadeiras. Vão visitar um clube e experimentem lá.

 

HS – O que acha que ganhou, enquanto pessoa, ao ser atirador?

NP Por acaso sempre fui um bocado introvertido. Às tantas, quando comecei a ter um bocadinho de sucesso, eu tinha vergonha do meu próprio sucesso, era assim. Agora, como pessoa, deu-me muito mais auto-confiança, sem dúvida nenhuma e ganhei uma série de ferramentas que uso no meu dia-a-dia. Lembro-me de que na escola via os meus amigos todos stressados por causa de um exame e aquilo para mim era a coisa mais normal. Quando sentia assim uma pontinha de nervosismo, e como nós temos alguns exercícios para isso no tiro com arco, inconscientemente aplicava-os. Ficava muito mais calmo e até acho que nunca estive stressado num exame ou no que seja. Este desporto acompanhou-me na minha vida toda, inclusivamente agora que tirei o curso em engenharia electrotécnica e abri uma empresa minha. Deu-me uma auto-confiança de que outra maneira era difícil.

 

HS – Qual é o seu highspirit?

NP O meu highspirit é o respeito pelo próximo e o saber que uma meta e um objectivo não se alcançam sem trabalho.

 

HS – Porque é que Somos Por Todos?

NP Porque sozinhos não somos ninguém. Até num desporto individual, se eu fizer tudo sozinho não chego a lado nenhum. Preciso de pessoas que me ajudem, do meu treinador, dos meus pais, da minha família… sozinhos não chegamos a lado nenhum.

 

 

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