A Federação Portuguesa de Esgrima é Fantástica

15 Feb 2018

O Director Técnico, Drº Miguel Machado, explica porque a esgrima é ‘um por todos e todos por um’.

highspirit – Como é que deve ser feita a primeira abordagem à esgrima?

Miguel Machado – A esgrima pode ser praticada desde muito novo. Aliás, hoje em dia nos clubes há classes de iniciação a partir dos 4/5 anos e portanto pode-se começar a praticar com essa idade. O trabalho que é feito nessas idades é vocacionado para a aprendizagem do gesto motor, de pequenos detalhes e no âmbito da brincadeira. Depois, devagarinho, vão começando a interiorizar os movimentos próprios da esgrima.

 

HS – Há diferentes armas na esgrima. Em que consistem?

MM – A esgrima é composta por três, nos escalões masculino e feminino, que são a espada, o florete e o sabre. São diferentes pela forma como se toca e pela zona do corpo onde vale, a grande diferença é esta. Depois, quem quiser praticar, normalmente pratica a arma que for a sua escolha, sendo que isso tem muito que ver com os clubes onde se vai praticar. Há clubes mais especializados numa arma, outros que são mais noutra.

 

HS – Em Portugal há alguma que predomine?

MM – A que tem mais praticantes em Portugal é a espada. Como não tem tanta complexidade de regras, ou seja, na espada ganha quem toca primeiro e vale o corpo todo, portanto acaba por ser mais simples a compreensão das regras. As outras duas, o sabre e o florete, têm mais especificidades em termos de convenção, o que torna um pouco mais difícil a sua compreensão. A espada é também a que permite que se pratique até mais tarde. Hoje em dia temos no quadro nacional atletas, que na esgrima se chamam atiradores, que têm 70 anos.

 

HS – Quantos atletas federados existem actualmente em Portugal?

MM – Existem à volta de 850 federados. Depois há algumas associações que têm esgrima, mas não federada, e aí foge um pouco ao nosso controle porque só conseguimos contabilizar os federados.

 

HS – Qual é o trabalho que a federação realiza diariamente no sentido de fomentar a prática da esgrima?

MM – Somos muitas vezes contactados por escolas, ou então fazemos nós o contacto, no sentido de ir ter com elas e promover a modalidade, quer aqui na zona centro em Lisboa, quer no norte, quer nas ilhas… Faz-se uma dinamização nas escolas com o objectivo de captar os miúdos mais pequenos. Uma vez que a esgrima é uma modalidade bastante conhecida porque qualquer miúdo tem uma espada em casa. Esse imaginário que os miúdos têm, quando nós vamos às escolas e vamos fazer uma sessão de experimentação, temos uma grande adesão porque os miúdos gostam muito. É nesse sentido que queremos trabalhar, alargar a base dos praticantes e não há meio melhor que a partir das escolas.

 

HS – Há uma boa distribuição de clubes pelo território português que proporcionem a prática de esgrima?

MM – A esgrima está disseminada por todo o país mas está mais centrada nos grandes centros urbanos.

 

HS – Há muitos treinadores qualificados dispostos a ensinar a modalidade?

MM – Nós temos, felizmente, nos últimos anos, trabalhado para formar mais treinadores, até por imposição do IPDJ que fez com que os treinadores tenham de ser qualificados. O que acontecia antigamente eram os antigos praticantes que acabavam por ser os treinadores, mas hoje em dia a formação é feita com requisitos exigentes. Assim temos mais treinadores, mais qualificados e mais aptos para o ensino. Isso dá-nos a indicação de que o ensino da modalidade é cada vez melhor.

 

HS – De que forma decorre uma competição de esgrima?

MM – Uma competição de esgrima normalmente abarca a espada, o sabre e o florete, em masculinos e femininos. Sucintamente, os atiradores são agrupados, numa fase inicial, em grupos de seis ou sete jogando entre eles. São depois qualificados para um quadro de eliminação directa. Numa primeira fase são cinco pontos e depois numa segunda fase já são 15 toques. Depois é até se encontrar os vencedores. O tempo de duração de uma competição depende do número de grupos, mas num fim-de-semana costumamos agrupar as competições aos sábados e domingos com os diferentes escalões e normalmente dura o dia todo.

 

HS – Porquê a importância da Federação Portuguesa de Esgrima em associar-se a um projecto como o highspirit?

MM – Todos os projectos são importantes. Este também é, mas é sobretudo importante porque tem uma vertente um pouco diferente. É também a experimentação da esgrima por pessoas mais velhas e isso é uma mais-valia porque nós sabemos que normalmente são estas que acabam por ajudar no seio familiar a que os miúdos pratiquem as modalidades. É o facto de os adultos poderem experimentar uma modalidade como a nossa que tem a conotação de que é perigosa e que, de facto, não o é, que ajuda imenso. Hoje em dia temos material que salvaguarda toda a segurança dos praticantes, é uma modalidade bastante segura até e dentro deste projecto isso é bom porque vai incluir duas gerações. O projecto é aliciante porque dá-nos mais uma hipótese de mostrar a modalidade e podermos aumentar, se assim podemos dizer, o nível de as pessoas a conhecerem a modalidade e posteriormente, quem sabe, virem a praticá-la.

 

HS – É preciso desmistificar este preconceito de que a esgrima é perigosa, como referiu?

MM – É. É porque um desporto de combate implica algum risco. Mas, nesse aspecto, a esgrima nos últimos 40 anos trabalhou de tal forma a nível internacional no melhoramento do equipamento que hoje em dia é uma modalidade extremamente segura. Tanto é que não há relatos de acidentes e se formos a ver em termos comparativos, o futebol, por exemplo, tem muito mais lesões ou é muito mais perigoso que a modalidade de esgrima.

 

HS – Qual é o seu highspirit?

MM – O meu highspirit é conseguir uma esgrima para todos, uma esgrima que abarque toda a gente. É o espírito que deve prevalecer neste projecto. A esgrima de uma forma simples e que todas as pessoas a compreendam. Que é mais uma modalidade, mais um desporto que promove a saúde, entre outras valências.

 

HS – Porque é que Somos Por Todos?

MM – Isso enquadra-se perfeitamente na esgrima, naquele nosso grande slogan ‘um por todos e todos por um’. Um sem os outros não é ninguém e todos juntos somos mais fortes.

 

 

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