Os Saídos da Casca são Fantásticos

14 Feb 2018

Drª Susana Dias, diretora da escola, acredita que a transparência e a partilha são o mais importante para o bem-estar das crianças.

highspirit – Como é que nasce a ‘Saídos da Casca’?

Susana Dias – A Creche ‘Saídos da Casca’ Oriente surge cinco anos após ter aberto a creche em Telheiras. Mantivemos o projecto de ‘crescer a brincar’ e isso foi essencial pois trouxemos toda a experiência e aprendizagem dos cinco anos de Telheiras. Aqui foi construído de raiz e isso é importante porque as infraestruturas estão todas pensadas para creche e para escola, numa construção ampla, com espaço exterior grande e inserido num sítio fantástico de verdes e ao pé do rio. As crianças usufruem muito dessa situação. As crianças e também os pais, pois até à saída da escola acabam por usufruir de todo este contexto de árvores e de rio. Mais tarde abrimos uma outra valência, que é o Jardim de Infância, que começou quase a partir de uma exigência dos pais e também o projecto bilingue que já está no terceiro ano desde a sua implementação. Temos o apoio do British Council, que ajudou tanto na implementação como na continuidade do projecto. Dão-nos assistência, fazem visitas de monitorização para ver como é que está a correr, dão feedback e formação… temos evoluído com este projeto de forma muito positiva.

 

HS – Qual o grupo etário das crianças que podem vir até ao ‘Saídos da Casca’? Qual a missão da escola?

SD – Nós aceitamos crianças desde os 3 meses até aos 6 anos, até ao final do Jardim de Infância. A nossa missão é tornar implícita a ideia de continuidade de casa, na partilha das funções e das tarefas educativas.  É necessário haver um diálogo permanente com os pais e a procura daquilo que os pais entendem que é a educação. É preciso haver um equilíbrio desses pontos de vista que muitas vezes podem ser diferentes, pois não há pontos de vista iguais quanto à educação dos filhos. Nós tentamos ouvir os pais e acompanhar essas ideias e filosofias que têm. Essa partilha é uma parceria, tem de ser complementar, sempre pensando no desenvolvimento da criança e no facto de que ela tem de estar bem. Essa parceria vai construir uma relação de confiança que tem de haver e que tem de ser constante, pois é o mais relevante que há entre a escola e os pais e é importante no sentido de isso fazer verdadeiramente as crianças felizes, ao perceberem que há essa harmonia. E é uma batalha constante a procura desse equilíbrio, dessa parceria e dessa vontade de querer que a criança se desenvolva de forma saudável. Nós perguntamos aos pais o que querem para as crianças enquanto estiverem na escola e a resposta é sempre…estarem felizes. Isso é o mais importante para nós. As crianças estarem felizes faz com que se disponibilizem para aprender. Se estiverem bem, aprendem apesar do método que se utiliza.

 

HS – Como conseguem envolver os pais na educação e na cultura das crianças?

SD – É uma batalha, mas os pais também sentem que é importante estarem envolvidos. Chamamos muitas vezes os pais à escola para fazerem actividades e fazemos questão de demonstrar a nossa abertura para os ouvir, essencialmente isso. Eles entendem isso e consideram importante, dando valor a essa abertura que lhes damos. Tem de haver uma relação de proximidade. Por exemplo, cada sala tem uma janela para que os pais possam olhar lá para dentro…eles gostam de espreitar a criança a brincar sem que esta os esteja a ver. É um sinal de que somos transparentes em relação ao que se faz na escola.

 

HS – Para transmitir um bom ensino, também é preciso uma equipa competente, motivada e feliz. Como é que fazem no ‘Saídos da Casca’ para conseguir isso?

SD – Para além de existir essa parceria entre a casa e a escola, e já tinha dito que as crianças sentem-se felizes se existir também essa harmonia, outra coisa que faz as crianças felizes é a equipa estar também feliz e satisfeita. Isso é muito importante pois só assim é criado um ambiente caloroso. A equipa é empenhada e participativa e está aberta a novos projectos e actividades, e a implementar coisas novas. Se for uma equipa infeliz e insatisfeita. Para isso deve ser uma equipa que é ouvida. Nós procuramos que isso aconteça através da partilha de ideias, o debate, o serem abertas na forma como colocam as suas preocupações e os seus problemas, fazendo com que sintam que fazem parte das soluções. Também neste sentido, e é um fator diferenciador da nossa escola, é termos uma psicóloga como consultora, dando apoio às educadoras. Também dá formação às educadoras que serve também como espaço de debate em relação a questões que preocupam as educadoras, como questões comportamentais das próprias crianças ou as questões mais filosóficas que também surgem, até em relação aos próprios métodos de ensino. Há debate e há espaço para isso.

 

HS – Qual é o seu highspirit?

SD – O meu highspirit é estar também feliz. Nós temos sempre um ideal do qual queremos estar próximos, temos uma visão daquilo que nós queremos, e é fazer com que estejamos todos em conjunto visando atingir o mesmo fim, que é no fundo o bem-estar e a felicidade das nossas crianças. Isso é o mais importante.

 

HS – Porque é que Somos Por Todos?

SD – Porque um sozinho não é nada. É preciso estarmos todos em conjunto, com determinados objetivos, trabalharmos todos, cada um nas suas valências, com as suas mais-valias, com as suas capacidades e competências e trabalharmos todos no mesmo sentido, para um global. As partes são importantes para que o todo funcione da melhor forma.

 

Conversámos também com a Drª Ana Costa, Diretora Pedagógica do ‘Saídos da Casca’. Explicou-nos a importância da persecução do lema ‘crescer a brincar’.

 

highspirit – Qual é a corrente pedagógica praticada no ‘Saídos da Casca’?

Ana Costa – Não seguimos uma única corrente pedagógica. Digamos que todas as pedagogias existentes têm coisas muito boas, mas também têm as suas lacunas, principalmente quando estamos a falar de creche. É fundamental para nós dar um bocadinho de tudo e defendemos o lema ‘crescer a brincar’. Desde sempre que o ‘Saídos da Casca’ tem como princípio orientador o ‘crescer a brincar’ e é nisto que nos focamos sempre, na aprendizagem activa das crianças e a brincar.

 

HS – Indo do berçário ao jardim de infância, como é que se integram equipas tão diferentes?

AC – No ‘Saídos da Casca’ as coisas acontecem de forma muito natural. Vamos acompanhando as crianças de forma contínua, porque elas estão no berçário, mas quem está no jardim de infância acaba por conhecê-las e acompanham todo o crescimento da criança. Nós próprias também acabamos por crescer enquanto profissionais porque, para já, todas as educadoras passam por todas as valências. Isso é positivo porque vão aprendendo as diferentes etapas da criança e aquilo que é importante trabalhar.

 

HS – No que concerne à participação dos pais na escola, já percebemos que o ‘Saídos da Casca’ tem uma política de abertura. Enquanto professora e agora diretora, como é que integra os pais?

AC – A integração dos pais é, sem dúvida, uma das principais características do ‘Saídos da Casca’. Tentamos envolver os pais em todas as actividades que fazemos e o facto de tentarmos falar directamente com os pais todos os dias é exactamente para isso. É o envolver os pais nos projectos, o envolver os pais nas actividades que estão a ser trabalhadas, fazendo com que venham à escola falar das suas profissões, envolvê-los em trabalhos lúdicos a fazer em casa para que depois sejam apresentados pela criança à restante turma faz com que fiquem também eles felicíssimos por saber que os pais estão envolvidos.

 

HS – Como são os diferentes espaços da escola?

AC – Ao longo do dia tentamos sempre proporcionar momentos de ida ao exterior, para que tenham o maior contacto possível com o recreio. Sempre que o tempo permite, promovemos a exploração do espaço exterior. Temos as hortas pedagógicas, com um espaço atribuído a cada sala, em que as crianças semeiam, plantam, colhem e vão conseguindo ver o desenvolvimento dos legumes e comem-nos. Para além do nosso recreio, que tem óptimas condições, outra coisa que tentamos aproveitar ao máximo é o nosso espaço envolvente. Fazemos visitas de estudo, passeamos ao pé do rio e fazemos piqueniques nas imediações… mesmo no verão colocamos as mesas lá fora e comemos no recreio. Nos trabalhos plásticos muitas vezes levamos a mesa para o recreio e, em vez de se trabalhar dentro da sala, trabalha-se lá fora a apanhar o calor da manhã… tentamos utilizar o espaço ao máximo. Há a biblioteca onde as crianças podem ir fazer pesquisas para os projectos juntamente com as educadoras, quer nos computadores, quer nas enciclopédias, principalmente para as crianças do Jardim de Infância que fazem projectos que surgem por iniciativa deles.

 

Drª Marta Cabrita é a responsável pela implementação do projecto bilingue. Explicou em que consiste o trabalho que realiza.

 

highspirit – Um projecto bilingue é ambicioso. Porquê arriscar?

Marta Cabrita – Para explicarmos a razão de ensinar inglês a bebés e crianças tão pequenas basta olhar para o período da vida em que aprendem a sua língua materna, por volta de um ano de idade. A partir daí, todas as crianças, normalmente e em média, começam a produzir uma série de palavras e a conjugar diferentes conceitos sem terem tido uma única aula de português. Porque é que o fazem? Desde que estão dentro da barriga da mãe que ouvem falar a língua e, quando nascem, interagem com o pai, a mãe, outros familiares e na creche, e não podemos esperar que consigam compreender aquilo que estamos a dizer. Provavelmente nascem e não compreendem nada. Nós estamos a falar português e eles vão progressivamente atribuindo significado. Além disso, ao estarmos a lidar com bebés e crianças tão pequeninas, estamos a evitar dois factores que podem e acabam sempre por condicionar a aprendizagem de uma língua quando falamos de crianças mais velhas ou até de adultos. A primeira delas é o treino auditivo, porque à medida que vamos crescendo, começamos a ficar tão condicionados ao tipo de sons da nossa língua que acabamos por perder a flexibilidade para apreender, processar e reproduzir sons novos e diferentes… acabamos por estar um pouco viciados em termos auditivos. O outro factor é do foro psico-afectivo, que está relacionado com o receio de errar. Não tem a ver com a introversão ou extroversão, o ser mais ou menos desinibido, mas com a importância que o julgamento dos outros, dos pares, vai ganhando à medida que vamos crescendo. O receio de sermos julgados e de errar vai tomando muito mais importância e acaba por condicionar a forma como damos resposta. É precisamente a pensar neste tipo de potencial da primeira infância, que a ‘Saídos da Casca’ implementa e fomenta a língua inglesa a diversos níveis e em diversos momentos. Seja no acolhimento das crianças, seja na actividade que a educadora tem planeada, na rotina de ir à casa de banho, na hora da refeição… no fundo, o que nós pretendemos é que se oiça, se pratique e se promova a língua inglesa da forma mais natural possível e mais aproximada ao tipo de aprendizagem que ocorre também na língua materna. Isso implica que toda a equipa esteja envolvida, de educadoras a auxiliares, e para tal todas têm formação contínua, além da parceria que temos com o British Council que nos dá um apoio constante. Além disso existem também as chamadas ‘aulas de inglês’ que, apesar de não serem aulas formais, são assim chamadas, e não são mais que um momento de reunião no tapete em que num ambiente mais estruturado todo o grupo é chamado a participar e de forma mais assertiva é-lhes pedido que intervenham e participem em inglês. Isto sempre de uma forma muito lúdica e sempre com apoio de músicas e lengalengas, que é a única forma de envolvermos as crianças na aprendizagem de uma língua, seja para o português seja para o inglês. É a forma mais natural.

 

HS – Porque é que há a vantagem de estar numa escola bilingue?

MC – Na verdade, é o que resulta. Aprender inglês pode ser em bebé, criança ou adulto, mas o maior potencial que temos para aprender uma língua é até aos três anos e não a partir dos seis que é o que acontece habitualmente. Com o aproveitamento desse potencial, o do boom linguístico, e havendo uma escola com essa oferta, não restam dúvidas que aqui há vantagem. Eu penso que hoje em dia, num mundo tão multicultural, se podermos dar essa oportunidade aos nossos filhos, de lhes dar uma aprendizagem tão natural e de muito mais fácil adaptação futura, não há razão para não o fazer.

 

HS – O que vê como vantagem nas crianças que têm este processo educativo?

MC – A vantagem mais gritante é a ausência de estranheza a que assistimos quando uma criança é exposta a uma pessoa que vem de fora e fala outra língua. Automaticamente conseguem fazer a distinção, ver que aquilo é inglês, e é muito curioso ver a ânsia que têm para demonstrar as coisas que sabem ainda que possam ser descontextualizadas como “eu vou sentar na chair” e a ânsia de saber mais para além do que já sabem. É aquela curiosidade natural que é tão boa nas crianças, por quererem saber mais. É o que noto mais, além do óbvio de conseguirem identificar vocabulário muito concreto de contagens, de cores, de animais, de palavras da rotina do dia-a-dia… quando comparando com outra criança que não passa por este processo.

 

 

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